Pesquisadores de segurança alertam que conteúdo sexual explícito gerado por IA sem consentimento segue se espalhando sem controle, com compartilhamento em mensagens diretas e armazenamento em nuvens privadas, o que dificulta detecção e denúncia. Um estudo coautorado pela Google com usuários da internet nos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, publicado em julho, aponta que o ponto de intervenção mais crítico está na origem das ferramentas usadas para criar as imagens falsas.
Em testes recentes, pesquisadores do White Circle afirmam que guardrails de geradores de imagens de texto de Google e OpenAI podem estar falhando à medida que os modelos ficam mais capazes. Um preprint divulgado no mês passado descreve vulnerabilidades em DALL·E 3, Nano Banana 2 e GPT-Image-2, com a equipe dizendo que, usando ferramentas disponíveis publicamente e chamadas via API, conseguiu gerar conteúdo explícito cerca de 13% das vezes.
O Wellhub revelou o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 e indica que a adoção de inteligência artificial pode aumentar a carga de trabalho para quem já domina a tecnologia. No Brasil, 37% dos trabalhadores “avançados em IA” relatam que o uso da ferramenta elevou o volume de tarefas, ante 13% entre quem está nos primeiros estágios de adoção. O levantamento também mostra que, no recorte brasileiro, oito em cada dez usuários avançados orientam outras pessoas sobre as ferramentas.
Os dados ainda apontam diferenças nos relatos de esgotamento: 23% dos profissionais mais avançados dizem ter sintomas de burnout diariamente, contra 11% dos iniciantes. A pesquisa destaca que políticas claras e bem comunicadas sobre IA se associam a maior resiliência, e que 75% dos usuários avançados citam recursos de bem-estar como apoio para se adaptar ao ambiente impulsionado pela tecnologia. O estudo foi conduzido entre 12 e 19 de junho de 2026 com mais de 5 mil profissionais em dez países.
O pendant Friend 2, chatbot em formato de pingente sempre “listening”, chegou em julho custando US$ 249 e usa os “latest language models” da OpenAI. O dispositivo responde a comandos e também pode falar sem ser provocado, com um recurso de “silenciar” que exige toques no aparelho.
A Avi Schiffmann, criadora do Friend, afirmou que a próxima atualização vai tornar os chatbots mais “agentically” e mudar a personalização: em vez de personalidades únicas por usuário, todos conversariam com a mesma entidade, compartilhando contexto entre usuários. A proposta aponta para um “hivemind” do Friend, com mudanças que devem afetar como o sistema se comporta e como a privacidade é tratada.
Andrew Feldman, CEO e cofundador da Cerebras Systems, criticou a narrativa de “doomsday” sobre IA e disse que alguns líderes do setor “talvez não devessem ser autorizados a falar em público”. Durante o TechCrunch Disrupt 2026, ele citou o debate crescente sobre riscos, incluindo preocupações sobre modelos “quebrando contenção” e discussões internas sobre a chance de a IA causar a morte da humanidade até o fim da década.
Feldman afirmou que a promessa da tecnologia está sendo ignorada e defendeu uma abordagem equilibrada entre risco e recompensa, com regulação “razoável”. Ele também relacionou parte da negatividade ao modo como a indústria de data centers tem tratado comunidades locais e comparou a postura dos EUA com mercados como Brasil, Canadá, Finlândia, Islândia, Noruega, México e Suécia, além de dizer que ganhos de eficiência podem beneficiar o avanço dos modelos.
O mercado global de smartphones registrou queda de 20% nas remessas na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Counterpoint Research. A retração foi atribuída à escassez de chips de memória, com a produção sendo direcionada para atender à demanda por infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Enquanto isso, Apple e Samsung ampliaram participação: a Samsung liderou com 23% e a Apple chegou a 22%, com o iPhone superando 20% no terceiro trimestre pela primeira vez. A expansão de data centers de IA elevou a procura por memórias HBM, afetando a oferta de DRAM usada em smartphones e pressionando custos, enquanto Xiaomi (10%), Oppo (9%) e Vivo (8%) ficaram atrás.
A forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial deve continuar superando a capacidade de produção da indústria pelos próximos dois a três anos, segundo o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, em evento do DBS Bank em Cingapura. Ele apontou gargalos na cadeia de suprimentos, com restrições em memórias, silício e empacotamento, como fatores que devem manter o mercado sob pressão.
Tan também alertou que, apesar da busca por poder computacional seguir aquecida, os investimentos multimilionários precisarão se justificar. Com custo de capital alto e exigência de retorno, as empresas que financiam ecossistemas de IA terão de demonstrar valor prático, enquanto a arquitetura de data centers passa a refletir a evolução das aplicações, com mudanças na proporção entre GPUs e CPUs.
A Microsoft revelou o Maia 300, novo chip de IA para servidores, com foco em aumentar a eficiência energética no processamento de inferência. O componente promete processar 40% mais tokens por megawatt do que infraestruturas baseadas em GPUs, permitindo atender mais demandas de IA com a mesma capacidade elétrica.
O Maia 300 dá sequência ao Maia 200 e é voltado para conversas extensas, tarefas que exigem raciocínio e agentes capazes de executar várias ações em sequência. A arquitetura usa chiplets fabricados no processo N2P da TSMC, organiza componentes para manter dados próximos do uso e traz 288 GB de memória HBM4 por acelerador, além de uma configuração completa com 96 aceleradores e promessa de até sete vezes mais tokens que um rack Maia 200; a implantação está prevista para começar em 2027.
A Amazon anunciou que vai deixar de usar acordos de confidencialidade (NDAs) ao negociar com governos locais sobre a construção de data centers, seguindo o movimento feito pela Microsoft. O assunto foi discutido no podcast Equity, do TechCrunch, durante um episódio que analisou a reação de comunidades e a onda de moratórias para novos projetos.
Os participantes destacaram que a resistência pode estar ligada à falta de comunicação da indústria e ao fato de muitas negociações ocorrerem “em segredo”, sem clareza sobre quem usará ou ocupará as instalações. Também foi citado que moratórias recentes costumam valer apenas por um ou dois anos, enquanto a entrada em operação dos data centers pode levar mais tempo, o que mantém a discussão em aberto.
Ataques com drones ucranianos tiraram do ar dois dos cinco data centers da Yandex, afetando a operação de serviços online e o chatbot de IA da empresa. Os alvos foram as unidades nas regiões de Sasovo e Kaluga, atingidas em 8 e 9 de outubro, em meio a uma campanha de ataques russa a data centers na Ucrânia.
A resposta ucraniana foi descrita por Volodymyr Zelenskyy como “com alta precisão” em post no X. A Firepoint informou que drones FP-1 de ataque de via única participaram do ataque ao maior data center da Yandex em Kaluga, enquanto o primeiro ataque mirou o de Sasovo, que abriga dois dos três supercomputadores usados no treinamento do modelo de IA YandexGPT; a Yandex reconheceu interrupções em alguns serviços, sem feridos.
A Samsung anunciou uma projeção de lucro operacional de US$ 80,17 bilhões para o terceiro trimestre de 2026, com crescimento de 782,5% na comparação anual. A estimativa, impulsionada pela demanda por chips de inteligência artificial, também aponta para lucro operacional de 107,4 trilhões de wons e receita de 195 trilhões de wons, acima das expectativas de analistas.
A alta é atribuída à procura por memórias usadas em servidores e data centers de IA, especialmente as HBM, além da escassez de componentes como DRAM e NAND, que elevou preços e margens no segmento de semicondutores. Apesar do desempenho consolidado, a divisão de smartphones pode registrar prejuízo superior a US$ 1 bilhão, e a empresa divulgará os resultados completos em 29 de outubro.
As eleições de meio de mandato dos EUA estão a cerca de um mês, com disputas que devem ser decididas por debates sobre financiamento em Silicon Valley, infraestrutura de data centers e regulação de IA, além de temas ligados a extremismo. A cobertura destaca corridas que vão do controle do Senado a votações em estados-chave, com foco em quem pode influenciar as regras eleitorais no ciclo de 2028.
No Texas, Chris Gober, ligado a iniciativas e campanhas relacionadas a projetos de data center, aparece como candidato ao novo 10º distrito e liderava em pesquisa de setembro por 48 a 41. A matéria também aponta que do lado republicano há candidatos com histórico de questionamentos ao processo eleitoral, enquanto uma candidata democrata no Kansas tenta transformar em vantagem política as consequências de demissões e cortes associados ao governo DOGE.
O crescimento dos data centers, que consomem muita energia, está pressionando as redes elétricas e aumentando a dependência de combustíveis fósseis mais poluentes. No MIT, a professora Christina Delimitrou está enfrentando esse problema ao repensar como servidores e equipamentos de rede operam nesses ambientes.
Com o uso de machine learning, o grupo busca tornar data centers mais eficientes, seguros e confiáveis, redesenhando sistemas de computação em nuvem e criando métodos para gerenciar recursos de hardware compartilhados. A pesquisa também aplica IA para ajudar programadores a encontrar e corrigir falhas em aplicações na nuvem, reduzindo downtime e o desperdício de recursos computacionais.
As ações da Nvidia atingiram um novo recorde nesta sexta-feira (2), com alta de 2,9%, levando o valor de mercado da fabricante de chips para perto de US$ 6 trilhões (cerca de R$ 31,4 trilhões). Segundo a Bloomberg, o movimento foi impulsionado pelo otimismo dos investidores com o novo agente de inteligência artificial da Meta, o Muse AI, lançado no início de setembro.
O Muse AI foi projetado para executar ações em nome dos usuários e pode acessar contas e informações em aplicativos como e-mail, agenda, pagamentos, saúde, compras e casa inteligente. Com a reação positiva ao agente, cresceu o interesse por empresas que fornecem componentes e infraestrutura para desenvolver aplicações de IA, em um cenário sustentado pela liderança da Nvidia em chips de IA e por resultados financeiros expressivos no trimestre fiscal de 2026.
A Oracle pode atrasar a entrega de seu datacenter de IA em Wisconsin por causa da espera pela aprovação regulatória da conexão com a rede elétrica. Com a aprovação pendente, a previsão de entrega para clientes em 2027 fica em risco.
O projeto depende do avanço do processo de autorização para viabilizar a infraestrutura de energia do centro de dados. Sem a liberação, a empresa pode precisar replanejar prazos para atender a demanda prevista para o próximo ciclo de entregas.
As ações da Nvidia bateram recorde nesta sexta-feira (2), com alta de 2,9%, algo que não acontecia desde maio. Com o movimento, o valor de mercado da companhia se aproxima de US$ 6 trilhões (cerca de R$ 31,4 trilhões). O avanço ocorre em meio ao otimismo do mercado com o Muse AI, novo agente de inteligência artificial da Meta, que executa ações em nome dos usuários.
A valorização também reflete a demanda por data centers e componentes usados no desenvolvimento de IA, já que a Nvidia fabrica chips para treinar modelos como os que alimentam serviços de IA. A empresa é apontada como líder no mercado de chips de inteligência artificial de ponta, com produtos como as GPUs H100 e A100 e a geração Blackwell (B100), além de ter lucro de US$ 58,3 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 26 de abril.
Kevin O’Leary planejou construir um enorme data center em Utah, com o projeto Stratos/Wonder Valley, descrito como um “campus” de 40.000 acres e nove gigawatts de energia. A iniciativa ganhou força em meio a anúncios públicos no fim de abril, mas a reação de moradores locais cresceu e acabou interrompendo o desenvolvimento. A apuração do The Verge destaca que a forma como o projeto foi planejado, anunciado e aprovado, além de relatos de falta de transparência com a comunidade, desencadeou uma crise política no estado.
O caso também envolve disputas judiciais: O’Leary teria chamado críticos de “espiões chineses” em entrevista ao Fox News, e a emissora precisou se desculpar no ar. A história é apresentada como parte do “boom” de infraestrutura de IA e do confronto entre a expansão de grandes data centers e a resistência local, que, segundo a investigação, se tornou o obstáculo central.
O DevDay anual da OpenAI começou em meio a protestos, panfletos e cantos em frente ao evento em San Francisco, no Fort Mason. Manifestantes exibiram cartazes com mensagens como “PEOPLE OVER PROFIT” e pediram “Drop the ICE contract”, além de críticas a contratos do ICE e ao impacto ambiental de data centers.
Mais de uma dúzia de organizações apoiaram o ato, incluindo Bay Resistance, Tech Workers Coalition e Service Employees International Union. O protesto também se conecta a um movimento contra a concentração de poder na indústria de IA e à falta de regulação governamental, com referências a boicotes liderados por grupos como QuitGPT e a baixa confiança no setor após incidentes envolvendo sistemas “rogue”.
A Alibaba apresentou o Zhenwu V900, descrito como o chip de IA mais poderoso já produzido na China, durante a Apsara Conference em Hangzhou. O lançamento integra um plano de investir mais de US$ 53 bilhões em IA e nuvem, ampliar data centers e reduzir a dependência da Nvidia.
Desenvolvido pela T-Head, o Zhenwu V900 promete desempenho três vezes superior ao Zhenwu M890 e pode ser combinado em clusters de até 500 mil unidades para treinar modelos avançados, com produção em massa prevista para o 1º trimestre de 2027. No mesmo evento, a empresa também falou em um futuro modelo da família Qwen com 5 trilhões a 10 trilhões de parâmetros e citou a expansão da Alibaba Cloud, incluindo a região inaugurada no Brasil em 27 de agosto.
A startup de data centers de IA Crusoe, de Denver, encerrou os planos de usar turbinas estacionárias da Boom Supersonic e cancelou a parceria que previa um investimento de US$ 1,25 bilhão em 29 turbinas Superpower. A decisão ocorre após o CEO da Boom, Blake Scholl, afirmar que a empresa não seguirá com o acordo, que tinha entregas previstas para começar em 2027.
A Crusoe confirmou ao TechCrunch que não faz mais negócios com a Boom. A empresa disse que continua construindo datacenters “do poder para cima” e que mantém flexibilidade para escolher fontes de energia por site, citando que a parceria não é o ajuste ideal no momento, enquanto a Boom direciona as entregas de Superpowers para outros locais.
A Nscale, neocloud britânica, anunciou a captação de US$ 3,36 bilhões em financiamento conversível antes de seu IPO ainda neste ano. A rodada, liderada pelo hedge fund Third Point, inclui US$ 2,36 bilhões disponíveis imediatamente e mais US$ 1 bilhão vindo de um investimento já existente da Nvidia, a ser recebido em meados de novembro.
Os valores serão convertidos em ações após a conclusão do IPO. A empresa protocolou a documentação do IPO na semana passada e é esperada para ter avaliação de US$ 35 bilhões na NYSE, enquanto busca levantar US$ 3 bilhões na oferta; a Nscale também afirma ter mais de US$ 103 bilhões em contratos e planeja desenvolver campi de data centers na Noruega e em West Virginia.
O Google prepara para 1º de outubro o lançamento do satélite experimental MVP, parte do Project Suncatcher, para processar consultas simples do Gemini em órbita. A iniciativa busca testar a viabilidade de data centers formados por frotas de satélites alimentados por energia solar, conectados para dividir cargas de processamento de IA.
O MVP levará quatro TPUs, com capacidade equivalente à de um servidor convencional, e painéis solares de cerca de 1 kW para executar consultas curtas e avaliar o comportamento do hardware no ambiente espacial. O projeto também enfrenta desafios como resfriamento no vácuo e efeitos da radiação, além de custos e dificuldades de manutenção e comunicação entre satélites.
Líderes mundiais se reuniram em Manhattan para a Assembleia Geral da ONU e a New York Climate Week, com investidores, formuladores de políticas, defensores e jornalistas discutindo os impactos da inteligência artificial no clima. O secretário-geral António Guterres afirmou que a crise climática impulsiona instabilidade e deslocamento, e que a IA pode tanto ajudar a enfrentar esses desafios quanto piorá-los.
O encontro também destacou o peso do setor de data centers na demanda por eletricidade e as emissões associadas ao avanço da IA, além do crescimento do investimento em climate tech: US$ 26 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados citados da Currence. Ao mesmo tempo, Simon Stiell alertou que líderes de IA enfrentam perda de apoio público e pediu evidências de que os benefícios superam os custos, enquanto parte do setor climático demonstra ceticismo diante do ritmo de expansão movido por energia.
Centenas de trabalhadores constroem centros de dados em Ulanqab, na Mongólia Interior, enquanto a China amplia sua infraestrutura para inteligência artificial. A região, antes conhecida como “capital da batata”, virou uma fronteira digital para sustentar a corrida tecnológica no contexto de conversas entre Donald Trump e Xi Jinping, com foco também em segurança da IA.
O plano chinês inclui integrar IA a 90% das indústrias e da sociedade até 2030 e atrair talentos para aplicar pesquisa em áreas como saúde e medicina. O debate entre os EUA e a China também envolve restrições a chips e equipamentos avançados e pedidos por mais regulamentação e regras globais para o setor.
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em Macaíba (RN) um supercomputador para inteligência artificial com investimento estimado em R$ 1 bilhão, enquanto o governo também divulgou uma estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro em parceria com empresas chinesas. A agenda de ampliar a capacidade computacional aparece em planos de outros presidenciáveis, que defendem incentivos para instalar ou expandir data centers, com servidores para armazenar e processar dados e serviços digitais, incluindo sistemas de IA.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que ampliar a infraestrutura pode ajudar o país a desenvolver capacidade tecnológica, mas não garante automaticamente “soberania digital”. Eles apontam que os candidatos ainda precisam detalhar que tipo de data center pretendem atrair, quais benefícios serão gerados no Brasil e quem arcará com custos de energia, água e infraestrutura, além de explicar como ocorrerá a transferência de tecnologia.
O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, esteve em San Francisco para promover o país e, diante de cerca de 250 founders, investidores e operadores, disse que não tem respostas para muitas das questões sobre IA que líderes discutem em particular. Ele afirmou que a Grécia está implementando medidas como a proibição de redes sociais para crianças menores de 15 a partir de janeiro e citou um piloto educacional com a OpenAI para reduzir tarefas administrativas de professores.
Mitsotakis também alertou que estudantes já usam chatbots para fazer lição de casa e que o país busca equilibrar benefícios de tutores de IA com a necessidade de manter o aprendizado das habilidades básicas. Ao falar de infraestrutura, mencionou projetos de data centers com Microsoft e AWS na Grécia e defendeu que a regulação “inteligente” é inevitável, além de dizer que governos e sociedades não estão preparados para o ritmo de deslocamento de empregos causado pela IA.
Mais de 60% dos americanos defendem limitar a construção de novos data centers, segundo pesquisas citadas no contexto de expansão da infraestrutura usada para IA. Projetos avaliados em US$ 68 bilhões foram interrompidos por opositores locais no 2º trimestre de 2026, de acordo com o Data Center Watch.
Um relatório da nonprofit Data & Society, baseado em 18 meses de trabalho de campo com entrevistas com 44 moradores da Pensilvânia entre 2024 e 2026, descreve como as pessoas vivenciam o debate sobre a construção. O estudo aponta que a resistência não se resume a um único grupo, envolvendo desde preocupações com custos de energia e valores de imóveis até críticas ao modo como empresas e coalizões defendem os projetos, além de desconfiança sobre influência e transparência.
A Nscale, neocloud britânica, vai abrir capital na NYSE e deve testar o apetite de investidores por uma empresa com receita concentrada em poucos clientes. Segundo o pedido de IPO, a companhia acumulou mais de US$ 103 bilhões em contratos, mas cerca de 85% do valor está ligada a um acordo para fornecer computação à Microsoft até 2033 (US$ 43,8 bilhões) e a um segundo contrato com a Anthropic (US$ 44,6 bilhões).
O acordo com a Anthropic depende de a Nscale conseguir financiamento, e o laboratório de IA pode cancelar o compromisso se a empresa não cumprir marcos definidos como “stringent”. A companhia busca levantar US$ 3 bilhões e espera avaliação de US$ 35 bilhões; no semestre encerrado em 30 de junho, a receita foi de US$ 140,6 milhões, com perdas líquidas de US$ 1,02 bilhão, e a Nvidia já concordou em fornecer US$ 1 bilhão em dívida conversível em um pacote de financiamento de US$ 3,1 bilhões.
A edição do “The Download” do MIT Technology Review critica o aumento do “AI hype” nos últimos meses, citando promessas de hacking, supostos avanços matemáticos e a ideia de superinteligência autoaperfeiçoada. O texto argumenta que existe incentivo comercial para exagerar capacidades e que a urgência e a velocidade comunicadas por empresas podem servir para influenciar policymakers e a opinião pública antes de uma avaliação mais cuidadosa.
A publicação também reúne sinais do debate sobre IA, como chamadas de 22 nações por um novo órgão global para supervisão, com testes de segurança prévia e padrões comuns, além de movimentos regulatórios ligados a data centers em Texas e Califórnia. No mesmo panorama, aparecem notícias sobre mercado e produtos, incluindo a alta de ações de uma chipmaker como AMD impulsionada por vendas de chips para IA e a disputa envolvendo o agente de IA da Meta na App Store.
Treinar e operar sistemas de inteligência artificial exige computadores em escala, concentrados em data centers que precisam de eletricidade continuamente. A EPE aponta que o impacto ainda é pequeno no consumo total brasileiro, mas a velocidade de expansão dessas estruturas já entrou no radar do planejamento energético. O Ministério de Minas e Energia e a EPE projetam que o consumo do Brasil chegue a 939 TWh em 2035, com crescimento médio de 3,3% ao ano, e o estudo passa a analisar cargas como data centers, eletromobilidade e produção de hidrogênio.
Dependendo do cenário, essas cargas especiais podem representar entre 1,2% e 12,9% da demanda projetada para 2035. A ANEEL determina que encargos de conexão à rede são responsabilidade dos usuários, enquanto a conta de luz também inclui custos gerais do sistema elétrico, como geração, transmissão, distribuição, encargos setoriais e tributos. Com o aumento de pedidos de conexão de data centers em 2025, o país avalia reforços de transmissão, como no Ceará e no Piauí, onde foi proposta uma solução para viabilizar até 4 GW adicionais a partir de 2032.
Donald Trump afirmou no Truth Social que quer nomear um “AI czar” para liderar uma nova “AI force”. A declaração veio em meio a pedidos, vindos de diferentes lados do espectro político e até do setor, para desacelerar o desenvolvimento de inteligência artificial.
No post, Trump disse que sua administração não vai “atrapalhar” o crescimento da indústria de IA e citou alegações sem evidências sobre benefícios de data centers para comunidades, como aumento de salários e mais segurança. Ele não informou prazos nem detalhes sobre a iniciativa e afirmou que apenas “indivíduos de alto QI” devem se candidatar ao cargo.
Trump voltou a defender a expansão de data centers e a ligação do tema com IA, após posts no Truth Social que associaram a recusa a “comunidades que querem ser para trás e pobres”. A pressão política ocorre em meio a críticas e resistência de parte do eleitorado, incluindo a de Molly McCann Sanders, presidente do Eagle Forum Education & Legal Defense Fund, que diz estar preocupada com a possibilidade de os centros “se moverem e poluírem”.
Pesquisas citadas pela Wired indicam oposição ampla à construção de data centers, com mais de 60% dos americanos contrários e 47% dos republicanos. O debate também aparece em memorandos do Partido Republicano para empresas de IA e em análises sobre respostas no Truth Social, nas quais comentários anti-data center e anti-IA teriam superado os positivos em uma proporção de 4 para 1.
Os juros americanos foram apontados como a principal ameaça ao ciclo bilionário de investimentos em inteligência artificial, segundo relatório da Gavekal enviado à EXAME. Após o Fed elevar a taxa básica na quarta-feira (16), os Treasuries de 10 anos superaram 5% pela primeira vez desde 2007, pressionando o custo real do capital ao longo da curva de juros.
A Gavekal afirma que pedidos de desaceleração coordenada e restrições regulatórias não devem frear o setor, porque concorrentes tenderiam a acelerar. O texto também destaca que o spread Wickselliano está perto de um limiar que historicamente aumentou o risco de desaceleração generalizada, e que a demanda por capacidade computacional segue forte.
A Crusoe, desenvolvedora de data centers para IA, levantou US$ 3,9 bilhões na rodada Series F, elevando sua avaliação para US$ 30,9 bilhões. O aporte foi co-liderado por Atreides Management, Mubadala Capital e Valor Equity Partners, com participação de Founders Fund, GIC, Nvidia, Qatar Investment Authority (QIA), Radical Ventures e TPG.
A empresa também anunciou três novos integrantes para o conselho, incluindo Thomas Seifert, CFO da Cloudflare, e JB Straubel, fundador e CEO da Redwood Materials. O investimento vai financiar projetos como um grande site em Abilene, Texas, usado por OpenAI, além de “Spark”, data centers modulares transportáveis por caminhão, para acelerar a implantação de capacidade de computação e reduzir barreiras ligadas a obras e protestos locais.